Mais uma viagem a Norte, desta vez sem "desnorte"...
O rumo estava traçado desde início e a voz da "Catarina" foi-me acompanhando enquanto percorria os longos quilómetros de asfalto.
Não viajo propriamente atento ás paisagens e saídas, talvez pelo pesar do pé no acelerador, que me obriga a andar bem mais atento a outros pormenores bem mais delicados no percurso, eles podem surgir na berma, assim como por trás sem avisar, obrigando-me a essa tal atenção redobrada, pois sem a carta, que por acaso é um bocado de plástico, com uma foto reduzida quase de presidiário, não conseguiria percorrer tantos caminhos, muito menos deslocar-me ao meu Sul...
Mas, e existe sempre um "mas", desta vez ao contrário das últimas vezes, lá estava ela...
Sim, "ela"...
A placa que tanta vez tentei visualizar sem sucesso e hoje ali estava ela atenta ao meu passar...
Não acredito em coincidências, o que é facto é que por uma qualquer razão que talvez não desconheça, apesar da atenção não estar para aí virada, a tal localidade de seu nome "Amor", apareceu-me mesmo ali á frente, depois de ultrapassar um veiculo pesado, que fez questão de não a ocultar da minha passagem...
Afinal aquela localidade que desde a minha primeira viagem a Norte nunca mais tinha visto, pensando até que tinha tido algum tipo de alucinação ou miragem, existe mesmo...
Mas também verifiquei desta vez que onde se saí para ir em direcção a "Amor", na mesma placa existe outra localidade de nome também bastante forte e sugestivo, refiro-me a uma localidade de seu nome "Ortigosa"...
O que eu aprendi com esta nova passagem em direcção a Norte, existe Amor sim, mas ao virar em direcção ao Amor, há que ter muito cuidado e ir com calma bastante atento, porque mesmo ali ao pé de Amor, existe a dita Ortigosa...
Dá que pensar...
Leão Branco
Mont Blanc
Lisura
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
(...)
"Aos olhos dos outros o homem é poeta se escreveu um bom poema.
A seus próprios, só é poeta no momento em que faz a última revisão de um novo poema.
Um momento antes, era apenas um poeta em potêncial, um momento depois, é um homem que parou de escrever poesia, talvez para sempre."
W. H. Auden
Leão Branco
A seus próprios, só é poeta no momento em que faz a última revisão de um novo poema.
Um momento antes, era apenas um poeta em potêncial, um momento depois, é um homem que parou de escrever poesia, talvez para sempre."
W. H. Auden
Leão Branco
Poesia
“Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.
Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.”
Leão Branco
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.
Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.”
Leão Branco

DA FUGA
Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma.
Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma.
Frederico Garcia Lorca
Leão Branco
MAR

Perdi-me muitas vezes pelo Mar,
com o ouvido cheio de flores recém cortadas,
com a língua cheia de Amor e agonia,
muitas vezes me perdi pelo Mar,
como me perco no coração de alguns meninos,
porque as rosas buscam em frente uma dura paisagem de osso,
e as mãos do homem não têm mais sentido,
como imitar as raízes sobre a terra,
como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo Mar,
ignorante da água vou buscando uma morte de wiskye no consumo.
F.G.L. (adaptado Cazuza)
Leão Branco
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Início das cores
Subscrever:
Mensagens (Atom)



