Sentando no quente de uma sala cheia de nada, esqueço o frio imenso que está lá fora e decido folhear o meu
Livro em Branco com o que resta da
Luz do dia, acrescentando-lhe mais uma página, mas, uma página que em tudo desejo que seja diferente.
Hoje li-te e reli-te...
Ao sentir a tua emoção e as lágrimas que escorrem pela amargura dos teus dias, lágrimas que sinto como se escorressem pela minha face, com um toque salgado tal lembrança de Oceano imenso, escrevo cores, hoje escrevo cores!!
Afinal o meu
Livro em Branco também pode ter cores, aliás, ele pode ter tudo aquilo que eu quiser, é
MEU, foi-me oferecido...
Resolvi dar-lhe um toque de cor, assim como pensei que apesar de não ser um
Livro de Memórias, de apesar de ser de mim para mim, não posso deixar de ver nele as cores do passado, o passado é colorido, as páginas negras não fazem parte das memórias do passado, são apenas e simplesmente etapas de um crescimento do ser que sou, são essas páginas, por negras serem com letra negra, que hoje não consigo ler, onde simplesmente vejo e revejo em mim o ser que sou e todas as cores que me rodeiam.
Vou escrever sobre o passado, porque quero, porque tenho vontade, porque me dá prazer reviver algumas situações do passado e mais que tudo, porque o
Livro é
MEU e faço dele o que bem me entender.
Um dia sonhei ser músico, rock talvez... Deliciava-me horas a fio com a minha primeira guitarra, já quase a sério e amplificada, a tentar imitar as bandas rock
Portuguesas que emergiam na altura, lembro as horas que passava em frente á janela, para ver-me como se de um espelho se tratasse, agarrado a algo que muitos anos mais tarde, com outra forma e sonoridade resolvi apelidar de minha "
lindinha", era o meu bem mais precioso, apesar da falta de afinação das suas cordas, de não saber sequer um acorde musical, julgava-me nos palcos em altas guitarradas e sempre com a voz a cantar, como uma estrela rock.
Recordo as vezes sem conta que cantei os Cavalos de corrida, que de tanto serem "trauteados" coitados já deviam andar fartos de mim e cansados... E tantas outras músicas da época, onde tomei contacto com os Táxi, os GNR, os
UHF, Rui Veloso, tantos outros e o
Palma.
Não satisfeito com esta minha condição de músico de intervenção, leia-se intervenção o facto de simplesmente intervir estragando as músicas que em fundo passavam no Gira-discos do meu
mano, a grande referência que tenho de fazer... O meu
Mano, pois sem ele e sem a diferença de idade jamais um
Puto como eu tomaria contacto com essa realidade musical.
E foi assim que resolvi aprender
música, hoje agradeço a mim mesmo e a quem me incentivou e ajudou horas a fio com o maldito livro de solfejo o facto de ter assimilado este bem precioso, porque hoje ela continua a ser o meu fio condutor, a cor da minha vida.
Como diria o das "favas com chouriço": "
Música, eu nasci p'
rá música, para te ver sorrir e a cantar....".
E foi então que o
Puto começou a tocar tudo o que era instrumento musical, começando na trompete, passando pelo saxofone, felizmente agarrando a bateria pois com ela descobri o mundo musical, foi ela que me fez saltar de garagem em garagem, ora ritmando
cover's, ora batendo forte com o meu toque pessoal as musicas originais das bandas por onde passei...
Não satisfeito com o meu percurso musical, lembro bem o motivo mais forte que me fez voltar a estudar outro instrumento, resolvi recomeçar com a minha "
lindinha", outra claro, mais robusta, com outra cor e sonoridade, esta já era a sério. E o motivo foi simples, para além de outros, como era possível transmitir toda a minha musicalidade na praia à noite com os amigos e noutros locais onde nos
juntávamos... com uma bateria?
Tenho de voltar a agradecer a mim próprio, não existe maior satisfação para quem vive a
música que agarrar numa viola e dedilhar os acordes daquele poema musicado que tanto gostamos, de partilhar com quem queremos esses
momentos únicos... Nada melhor que nos
momentos de solidão ter uma companheira "
Linda" e que simplesmente está lá, sem cobrar, sem exigir, sem reclamar... E é com ela que hoje desabafo, a minha "
Lindinha", como ela me compreende, como ela me deixa fazer
brilhar quando estou só, porque hoje, ao contrário do tempo em que sonhava ser músico rock, em que tocava nas garagens, em que fiz o circuito dos bares, hoje é simplesmente só...E que grande companheira ela é... Tão Linda e com uma voz tão doce.
Como poderia esquecer-me destes pequenos pormenores, hoje que sei como se ergue um
edifício de grandeza imponente, tijolo a tijolo, são milhares, mas colocados um a um... Tantos e tantos sacos de cimento um a um... As vigas e pilares de betão, todos um a um... Os operários que trabalham hora a hora, as mesmas horas todos os dias... Eu felizmente já vi como se erguem esses imponentes edifícios à custa de tantas pequenas coisas... E são todas estas pequenas coisas que me fazem sentir quem sou, nunca esquecendo o que fui...
São estas pequenas coisas que me mostram como se semeia uma grande
amizade, se
ergue um grande
Amor... Que dão origem a duas palavras que
Adoro...
Momentos de
Cumplicidade!
Leão Branco