Depois de escrever o título do que em branco desejava escrever para mim, simplesmente algo sobre o meu dia, é que me apercebi da força do título que "introduzi" na caixinha de diálogo.
Não quero escrever para mim sobre o meu passado, não que tenha algo para "encriptar", mas como disse um dia alguém que conheci: "O passado? O passado é passado, já não me lembro, perguntem-me o que vou fazer a seguir".
Assim pensava estar eu, quando resolvi escrever estas palavras, no entanto veio-me à lembrança outro tempo, o tempo em que escrevia não sobre o meu dia, mas praticamente todos os dias, o tempo em que pensava que que as minhas palavras tinham mais força quando escritas em rimas ordenadas a que eu julgava sentir na sua essência poesia.
E, foi nesse tempo, no tempo em que sonhar acordado me era permitido, dedilhando a minha "lindinha" que escrevi numa rima forte e sentida "o dia", um dia que nunca existiu e que nunca deixará de existir, afinal é passado.
Depois de mais um branco dia (não consigo evitar a palavra), meti-me á estrada, foram mais de 300 km de negro sob e sobre o meu carro, enfim, estava destinado à bruma, mas o branco ajudou-me e consegui afastar-me da escuridão, afinal o branco está sempre comigo, (um grande bem haja para a palavra branco), no betuminoso sempre alguns traços brancos que me guiavam na sua contínua insistência de me manter no rumo traçado, no céu, lá estavam elas, mãe e filha de branco vestidas a seguir o meu caminho, como que me fazendo sentir a sua protecção. [longe de mim a ideia de ser poético, mas um dia (de novo a palavra), terei de escrever sobre elas].
Quando a meio deste percurso, diferente de tantos outros rumo ao mesmo destino, optei por uma alternativa, deparo-me com algo que não sei como é ou o que seja, mas, hoje sei onde fica.
Uma simples placa, por sinal branca, de saída de uma Autoestrada qualquer, com um nome: "Amor".
Fiquei sem reacção, desconhecia, mas no fundo não sabendo como é, sabia que existia, estava ali mesmo numa saída de autoestrada, uma simples viragem á direita no meu caminho e eu segui as linhas brancas rumo ao meu destino, que já tinha sido planeado, sendo guiado pela voz sensual da Catarina: "à frente mantenha-se na faixa da esquerda", lá segui a minha viagem...
Cheguei ao meu destino, ás 22.22h deste dia, ironia do destino e coincidências apenas com o passado ... Em branco.
Leão Branco
Mont Blanc
Lisura
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
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1 comentário:
Também não sei quem é ou a que cheira...Deve cheirar a terra molhada e a sal...
Nunca passei pela mesma estrada, ou estava dissimulada a placa e não dei por ela...
Agora estou atenta às placas, não vão elas passar por mim novamente sem que as leia, sem que as siga...
Assim, saberei onde mora.
Para isso, mudei de gaveta as memórias. Para uma onde ficam alinhadas, arrumadas.
Como os bilhetes que guardo até ao dia em que decido que são inúteis e apenas ocupam espaço...
Faço lugar para estradas e placas que não quero perder. Nunca mais...
E, finalmente, voltar a ver outros tons...
Gosto dos livros em branco, K. Mas isso já sabias...
Escrevo o novo, reescrevo-me e reinvento-me ao sabor das estradas e das placas que nunca li...
O passado? Acabou de queimar com o cigarro que aqui fumei contigo...
Beijo e sorriso, K.
Amplo, sempre...!
*
Q.
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