Um dia um Pássaro Livre resolveu voar só e para bem longe, num voo estonteante e completamente louco...
Quando esse voo a certa altura se tornou pesado demais, cansativo e sem rumo ou direcção, em vez de num último fôlego tentar voltar para trás...
Continuou, rumando ao infinito e desconhecido...
Até que, sem mais como para voar e extenuado...
Caiu... Caiu de uma altura imensa, uma altura como nunca pensara atingir nesse seu voo...
Caiu... Como as folhas castanhas de um Outono frio e cinzento...
Agora, não se mexia, não tinha força sequer para se levantar...
Já tão pouco pensava em voltar a voar, imaginava apenas tentar erguer-se e andar, andar com os pés bem assentes na Terra, por muito pouco que fosse...
Mas o corpo não tinha a ajuda da mente e o Pássaro estava imóvel, assim ficou...
Imóvel e com medo de ter de viver suportando o peso do seu próprio corpo...
Sentia que o seu peso próprio só por si já era difícil de suportar...
A sua tristeza era enorme e o Pássaro sentia-se refém de si mesmo...
Olhava as suas asas e via-as como se fossem as folhas caídas castanhas de Outono, um Outono frio e descolorido...
Mas, num último fôlego de sobrevivência, o Pássaro Acreditou...
Acreditou no Momento...
Acreditou na Partilha...
Acreditou na Sintonia...
Acreditou na Cumplicidade...
Acreditou em todas as Palavras únicas que um dia o fizeram voar livremente...
Acreditou e viu a Primavera no seu horizonte e com ela as suas cores, com ela as suas asas deixaram de ser castanhas e pesadas, com ela Acreditou que poderia voltar a voar...
Então, esquecendo esses tantos dias de bruma de um Outono pesado, encheu-se de coragem e quase que num último fôlego voltou a voar, num voo Livre, num voo de loucura saudável...
E hoje, voa Livremente...
Quem sabe rumo ao seu Sul, sem "des... Norte"...
Hoje é um Pássaro Livre.
Leão Branco
Mont Blanc
Lisura
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
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1 comentário:
Conheço um outro pássaro...
Com uma viagem semelhante. Não perdeu a força, mas a vontade.
Resolveu ficar a viajar apenas em si.
Até um dia...
Em que já não cabia em si novamente, em que era demasiado pequeno para a sua vontade outra vez, para os dias monocromáticos...
E descolou novamente...
Beijo, K. : )
E obrigada pelo sorriso.
*
Q.
(Deves-me you-know-what)..lol
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