A noite que passou chegou até mim, com um Brilho diferente de todas as noites passadas, desde que de Branco resolvi pintar as páginas agora mais coloridas de meus dias.
Rumando com direcção predefinida, olhei o céu e lá estavas tu minha Luzinha, com teu Brilho intenso, tua Luz forte e Branca, como que a aquecer a noite fria e escura de Inverno.
Olhei atentamente o escuro do céu e reparei na temperatura de 5º que fazia lá fora, um frio cortante, que mais gélido se tornou, quando num olhar mais atento me deparei com aquilo em que nunca quis Acreditar...
Tu que sempre estiveste sozinha ou acompanhada pela grandeza de tua mãe...
Tu a quem um dia dei um nome de mulher, pela tua presença constante nas minhas noites, ora quentes de Verão, ora gélidas de Inverno, acompanhando-me sempre no queimar daquele último cigarro...
Tu que para mim eras o sinal da união, da sintonia, da cumplicidade e partilha...
Tu não estavas só, não eras apenas Tu, aquela que outrora me guiara e que agora me seguia, como querendo alertar-me para a novidade, neste rumo que eu já havia traçado.
Rumava eu agora a um lugar, em tempos companheiro de tantas noites, um lugar quente e acolhedor, um local onde sempre mas sempre consegui ver as minhas cores, em forma de notas musicais, bem ordenadas, ritmadas e o som de vozes alegres e despreocupadas.
Agora, hoje… Não eras apenas Tu, a teu lado surgia algo que me fez tremer, vacilar, porque me fez sentir só, como que um sinal de quebra de laços, para quem está atento a todos os pormenores que as coisas simples e únicas da vida nos proporcionam…
Foi então que vi… Vi uma outra Luz, um Brilho maior, como que anunciando a quebra de união que entre nós dois existia.
E foi, ao olhar essa Luz, pensando em tudo que me fazia crer que os dois éramos um só, unidos pela nossa Luzinha, a Ponte mais forte que sempre existiu entre nós, que tudo se desmoronou.
Aquelas duas almas que sempre senti gémeas, pela presença constante de uma simples Estrela, que há bem poucos dias se tinha revelado a mim como um ser maior e mais imponente com a descoberta de um planeta (Vénus) nela, voavam a sós, cada uma com seu Brilho próprio, apesar da mesma cor… Branca… Estavam agora separadas, adversando o frio e escuro deste Inverno, em que deviam aquecer-se pela sua União e Sintonia, contrariando todas as leis da natureza e esquecendo todos os pormenores, desde os mais simples actos de ternura aos grandiosos Momentos de Partilha.
Esses dois seres estavam agora separados, separados por uma distância cósmica, afastados pelas leis cruéis da natureza, só possíveis de assimilar por seres mais atentos.
Foi na presença dessas duas Luzes agora definitivamente separadas que percebi, o rumo que eu tinha traçado para a minha noite, continuava a ser seguido com a tua presença, no entanto uma presença mais distante, pois afinal percebi que Tu também tinhas encontrado um novo fôlego, que tu também tinhas encontrado forças para Voar, agora num Voo isolado, um Voo Livre, quiçá um Voo rumo à fusão com outra estrela, em que apenas e sempre só nos resta a esperança de um dia nossos Voos separados que agora assumimos, um dia quem sabe se possam cruzar…
Foi essa notícia amarga, ao mesmo tempo inteligível a Ponte para uma vontade imensa, um Desejo muito forte de estar no tal local simples, quente e acolhedor, companheiro de outros tempos, outras noites… De tantas 22.22h...
Coincidência ou talvez não, uma outra “Lindinha” me esperava, uma “Lindinha” despida e triste, ávida por um toque de Ternura, um Carinho, um Afecto que me fez respirar fundo, apertá-la junto ao meu peito, vesti-la de notas musicais e com ela Partilhar Momentos de Sublime sensação de Liberdade.
Depois pensei, hoje algo se separou de mim reforçando-me a ideia de um Voo Livre e solitário, mas, o mais marcante do meu hoje é que me reencontrei com o Brilho das cordas, o som dos acordes coloridos e o dedilhar de sons esquecidos na minha arca de memórias.
Hoje… O meu Branco tem som!
Leão Branco
Mont Blanc
Lisura
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
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1 comentário:
Assim que li lembrei-me de um poema.
Não meu, não sei escrever poesia em verso...
: )
Mas fala de palavras e cores e das cores das palavras. Descobri-o há meses, e guardei...
É de um poeta indiano, chamado Kedarnath Singh:
WORDS DON’T DIE OF COLD
Words don’t die of cold
they die from a lack of courage
Words often perish
because of humid weather
I once met
a word
that was like a bright red bird
in the swamp along the riverbank in my village
I brought it home
but as soon as we reached the wooden door-frame
it gave me
a strangely terrified look
and breathed its last
After that I started fearing words
If I ran into them I beat a hasty retreat
if I saw a hairy word dressed in brilliant colours
advancing towards me
I often simply shut my eyes
Slowly after a while
I started to enjoy this game
One day for no reason at all
I hit a beautiful word with a stone
while it hid
like a snake in a pile of chaff
I remember its lovely glittering eyes
down to this day
With the passage of time
my fear has decreased
When I encounter words today
we always end up asking after each other
Now I’ve come to know
many of their hiding-places
I’ve become familiar with
many of their varied colours
Now I know for instance
that the simplest words
are brown and beige
and the most destructive
are pale yellow and pink
Most often the words we save
for our saddest and heaviest moments
are the ones
that on the occasions meant for them
seem merely obscene
And what shall I do now
with the fact that I’ve found
perfectly useless words
that wear ugly colours
and lie discarded in the garbage
to be the most trustworthy
in my moments of danger
It happened just yesterday –
half a dozen healthy and attractive words
suddenly surrounded me
in a dark street
I lost my nerve –
For a while I stood before them
speechless
and drenched in sweat
Then I ran
I’d just lifted my foot in the air
when a tiny little word
bathed in blood
ran up to me out of nowhere panting
and said –
‘Come, I’ll take you home’
(Ok, também preferia em português, mas foi assim que o encontrei, que o senti...e que o partilho...)
Beijo e sorriso, K. : )
*
Q. (aka G.P.)
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