Mont Blanc

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Lisura

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

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Na realidade existem dias piores que outros, para não dizer outros ainda muito piores que os piores que outros...
Não me basta passar horas a fio fechado em salas apinhadas de técnicos sabe-se lá de quê, a darem palpites sobre não sei que mais dias inteiros, ainda ter de passar fins de tarde e noites enfiado noutras salas vazias de tantas coisas e tão preenchidas de especialistas em ... Ninguém sabe ao certo, a esbanjarem horas de inconclusivas certezas e muito mais incertezas...
Assim vai o nosso produto interno bruto, vulgo PIB... Vazio como essas tantas salas e ideias.
Como é difícil fazer ver algo a quem não quer ver...
Como é difícil combater o ruído com o silêncio sábio de quem se limita a ouvir barbaridades como que delas saíssem não só as soluções para os pequenos problemas imediatos, mas, reforçadas com as ideias empolgadas de como que se estivessem a resolver os grandes problemas do mundo.
Como é impressionante ver os tais técnicos especialistas de tudo ou nada, resolver nada apregoando a tudo...
Como é fantástico sentir que daqueles cérebros iluminados pode a qualquer momento surgir a solução para a fome em África, a resolução dos problemas no Iraque, a união de ideias na Palestina e tantos outros mais...
Para não fugir a esta regra que para mim criei e que na realidade constato como um Dogma absoluto... Tudo o que me rodeia é Branco... Branco de vazio... Resta-me o meu Branco ir-se colorindo a ele próprio, mesmo com a minha escassez de ideias, mas com a força do meu imaginário...
É que com a força de tudo isto ou o isto que me dá força, vou descobrindo novas formas de afectos, sendo que a última grande descoberta destes meus dias Brancos, mais uma vez me leva ao meu imaginário de mulher perfeita...
Não fossem estas horas infindáveis nas ditas salas, em que me sobram alguns minutos para percorrer vários corredores e descobrir uma voz feminina, quase que maternal, mas sensual e meiga, sempre preocupada com a minha saúde, exigindo apenas as moedas necessárias para introduzir na ranhura e quase que me murmurando "Tórridamente" ao ouvido: "retire o seu troco"... E eu, contente por mais esta descoberta de afectos, lá vou pelo corredor agarrado a uma sandes de atum, gélida e sem sabor, enganando a necessidade de alimentos saudáveis e procurando uma fuga qualquer para o exterior, para dar um pouco de lume ao meu dia, queimando as ideias na ponta de um cigarro, ou o pouco que resta da minha sanidade mental.
Por tudo isto reforço, felizmente que existe sempre uma voz de mulher, meiga e sensual a preencher os poucos momentos relaxados de meus dias Brancos.


Leão Branco

1 comentário:

M. disse...

You're not a machine...
O sermao fica para mais tarde..:p

Beijo, K.

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Q.(ou whatever)